O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em um momento de importantes conversas nos bastidores da política internacional. Antes de dar uma resposta ao convite feito pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o novo "Conselho da Paz", Lula tem buscado ouvir representantes de outros países.
A iniciativa, criada pelo governo norte-americano, tem como objetivo principal planejar a reconstrução da Faixa de Gaza. Mas a estrutura do conselho, onde Trump seria líder vitalício e com poder de veto exclusivo, levanta questões sobre o apoio e a participação de nações estratégicas.
Lula conversa com líderes da Índia e Palestina
Na última quinta-feira, Lula pegou o telefone para conversar com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O governo brasileiro informou que, durante a ligação, os dois líderes reforçaram a visão de que a Organização das Nações Unidas (ONU) precisa de uma "reforma abrangente", especialmente em seu Conselho de Segurança, para se tornar mais eficaz e representativa.
Logo depois, o presidente brasileiro também falou com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina. Em um comunicado divulgado, o Palácio do Planalto contou que Lula expressou satisfação com o cessar-fogo em Gaza e consultou Abbas sobre os próximos passos para a reconstrução da região. Além disso, Lula reafirmou o compromisso do Brasil com a paz no Oriente Médio, um tema caro à diplomacia brasileira.
O Conselho da Paz de Trump e seus participantes
O "Conselho da Paz" de Donald Trump foi oficializado também na quinta-feira, mas sem o apoio de aliados importantes na Europa. O próprio Trump será o líder vitalício do órgão, com direito a veto em todas as decisões, algo que concentra um poder significativo em suas mãos.
Dezenove países assinaram o documento que cria o conselho, e eles se dividem em diferentes grupos:
- Democracias: Argentina, Paraguai, Hungria, Bulgária, Turquia, Kosovo, Armênia, Paquistão, Mongólia, Indonésia.
- Países sem democracia plena: Marrocos, Jordânia.
- Regimes considerados autoritários: Azerbaijão, Uzbequistão, Cazaquistão, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos.
- Ditadura: Arábia Saudita.
Grandes potências como Rússia, China, França, Alemanha, Reino Unido, e outros países europeus foram convidados, mas escolheram não assinar o documento. O Brasil também recebeu o convite e, por enquanto, mantém a decisão em aberto.
Nos corredores do governo brasileiro, a informação é clara: não há pressa para dar uma resposta. A expectativa é que a decisão final sobre a participação do Brasil no conselho de Trump não seja divulgada ainda esta semana, indicando uma análise cuidadosa dos prós e contras de se juntar a uma iniciativa com essa configuração.

