O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou nesta quinta-feira (22) uma iniciativa que chamou de “Conselho da Paz”, um projeto ambicioso que convidou cerca de 60 países para participar. No entanto, a proposta já enfrenta resistência e gerou posicionamentos importantes de líderes globais, como o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
Enquanto algumas nações mais próximas a Trump, como Argentina e Israel, foram rápidas em aceitar o convite, países europeus importantes demonstraram preocupação e até mesmo rejeitaram a ideia. Entre os que disseram ‘não’ estão França, Alemanha, Espanha, Noruega, Eslovênia e Suécia, mostrando uma divisão clara sobre o apoio à nova iniciativa.
Lula questiona criação de 'nova ONU'
Um dia após o lançamento, o presidente Lula não demorou a se manifestar. Em sua fala nesta sexta-feira (23), Lula descreveu o cenário político mundial como “muito crítico” e lamentou que a Carta da ONU esteja sendo, em suas palavras, “rasgada”. Ele criticou abertamente a proposta de Trump, vendo-a como um movimento para desconsiderar a estrutura existente da Organização das Nações Unidas.
“Em vez de corrigir a ONU, como a gente reivindica desde 2003, com a entrada de novos países — como México, Brasil e países africanos — o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, como se ele sozinho fosse o dono da ONU”, disse Lula.
A visão de Lula ressalta a discussão sobre a necessidade de reformar a ONU, algo que o Brasil defende há anos, em vez de criar alternativas que possam minar a autoridade da organização global já estabelecida.
Aceites e recusas: o cenário do Conselho da Paz
Até o momento, 23 países aceitaram o convite de Trump. São eles:
- Armênia
- Arábia Saudita
- Argentina
- Azerbaijão
- Bahrein
- Belarus
- Bulgária
- Catar
- Cazaquistão
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Hungria
- Indonésia
- Israel
- Jordânia
- Kosovo
- Marrocos
- Mongólia
- Paquistão
- Paraguai
- Turquia
- Uzbequistão
- Vietnã
Por outro lado, seis nações europeias já recusaram a participação, indicando uma visão de preocupação ou desacordo com a iniciativa:
- França
- Noruega
- Eslovênia
- Suécia
- Espanha
- Alemanha
O Canadá, inicialmente convidado, teve seu convite cancelado pelo próprio Trump após uma discussão pública com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, durante o Fórum Econômico Mundial. Outros países importantes, incluindo o Brasil, Reino Unido, China, Croácia, Itália, Rússia, Singapura e Ucrânia, ainda estão analisando a proposta e não definiram sua posição.
A criação do “Conselho da Paz” por Trump levanta um debate significativo sobre a governança global e o papel das organizações multilaterais, com líderes como Lula defendendo a valorização e reforma das estruturas existentes em vez da criação de novas.

