O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem mudado o tom em seu discurso de combate à violência contra a mulher. A pauta, que ganhou prioridade máxima na agenda do governo, agora foca diretamente na responsabilidade masculina para enfrentar o crescente número de casos de feminicídio no Brasil.
Essa nova estratégia, que tem forte influência da primeira-dama Janja da Silva, busca não apenas condenar a violência, mas também engajar os homens na solução do problema. A ideia é que a mensagem do governo alcance o público masculino de forma clara e direta, pedindo uma postura ativa e de respeito.
Um exemplo notável dessa mudança de postura aconteceu em dezembro de 2025, durante um evento público no Ceará. Na ocasião, o presidente Lula não hesitou em usar palavras fortes ao declarar:
“Vagabundo que bate em mulher não precisa votar no Lula.”
A fala, contundente, reflete a seriedade com que o governo federal passa a encarar a violência doméstica e o feminicídio. Além de incorporar esse discurso mais direto, Lula também cobrou de seus ministros um empenho ainda maior na causa.
Entre os nomes que receberam essa diretriz estão Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública, e Márcia Lopes, ministra das Mulheres. A expectativa é que ambos intensifiquem as ações e políticas públicas voltadas para a proteção das mulheres e a prevenção desses crimes.
Feminicídio: um retrato alarmante no Brasil
A urgência do tema é reforçada por dados preocupantes. O Ministério da Justiça e Segurança Pública revelou um aumento significativo de 26% nas tentativas de feminicídio somente no ano de 2024. Esses números acendem um alerta sobre a escalada da violência.
Entre janeiro e setembro de 2025, a situação se manteve grave: mais de 2.700 mulheres foram vítimas de tentativas de feminicídio. Infelizmente, no mesmo período, 1.075 mulheres morreram assassinadas apenas por serem mulheres, um crime que a lei brasileira define como feminicídio.
Essas estatísticas cruas mostram a realidade brutal enfrentada por milhares de mulheres e justificam a necessidade de um posicionamento mais firme e de ações coordenadas do governo. O endurecimento do discurso do presidente Lula e o direcionamento da mensagem aos homens são passos importantes para mobilizar a sociedade e cobrar a responsabilidade de todos na construção de um Brasil mais seguro para as mulheres.

