Deyvid Bacelar, que é o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), tem bons motivos para comemorar. Ele destacou a importância da mobilização de petroleiros e petroleiras para reativar a indústria naval brasileira. Essa luta teve um resultado concreto: a entrega das primeiras barcaças construídas no Estaleiro Enseada do Paraguaçu e no Canteiro de São Roque, em Maragogipe, na Bahia.
Após anos de paralisação, o setor volta a todo vapor no Recôncavo Baiano. Bacelar, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, de parlamentares e empresários do setor, ressaltou o papel essencial da FUP como interlocutora em diversas audiências públicas realizadas na região.
“Hoje podemos festejar a construção de grandes embarcações aqui em Maragogipe”, disse Bacelar, durante o evento que marcou a retomada das atividades.
Novas Encomendas Impulsionam a Região
A Petrobras é uma das grandes responsáveis por esse novo cenário. A estatal encomendou ao Estaleiro Enseada do Paraguaçu a construção de seis navios híbridos de apoio offshore de grande porte (PSVs/OSRVs). O investimento da Petrobras chega a impressionantes R$ 2,6 bilhões. Esses navios são destinados à movimentação de cargas e apoio a plataformas, e estão sendo produzidos em parceria com a Compagnie Maritime Monegasque (CMM).
Além disso, o Canteiro de São Roque do Paraguaçu, que pertence à Petrobras, está sendo considerado para o descomissionamento de plataformas da própria estatal, o que representa mais trabalho e investimentos para a região.
Outra encomenda significativa veio da LHG Logística, braço da mineradora LHG Mining, do grupo J&F. A empresa solicitou 80 unidades, parte de um projeto maior que prevê 400 balsas e 15 empurradores. Esses estão sendo construídos em estaleiros do Norte e Nordeste do Brasil. O projeto da LHG conta com um financiamento de R$ 3,7 bilhões do Fundo da Marinha Mercante (FMM), liberado por meio do BNDES.
A ideia por trás desse projeto é ambiciosa: viabilizar o transporte hidroviário de minério de ferro e manganês extraído em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, até o terminal marítimo de Nova Palmira, no Uruguai. Bacelar informou que, somente no Estaleiro Enseada do Paraguaçu, o investimento será de R$ 611 milhões.
Empregos e História em Maragogipe
O impacto na geração de empregos é imediato. Nos últimos meses, o Estaleiro Enseada já criou 940 postos de trabalho diretos e indiretos. A expectativa é que, com a plena retomada, sejam gerados 1.000 empregos diretos e 2.000 indiretos na região. Essa reativação não apenas impulsiona a economia do Recôncavo Baiano, mas também devolve a dignidade a muitas famílias.
“As embarcações estão sendo construídas no Estaleiro Enseada, em São Roque do Paraguaçu, com mão de obra local, fortalecendo a região. Tudo isso tem contribuído para a retomada da indústria naval brasileira”, reforçou Bacelar, que também é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) do governo federal.
O Canteiro de São Roque do Paraguaçu tem uma longa história, fundado pela Petrobras em 1977 após a compra de um antigo prédio da Estrada de Ferro Nazaré. Foi de lá que saíram estruturas fundamentais para a primeira fase de exploração da Bacia de Campos. Já o Estaleiro Enseada, um empreendimento privado erguido entre 2009 e 2012 por um consórcio, construiu plataformas importantes como a P-59 e a P-60.
A localização é um diferencial. A foz do Rio Paraguaçu, na Baía de Todos-os-Santos, é considerada um dos melhores lugares do Brasil para a instalação de estaleiros. Com suas águas profundas e abrigadas, foi nesta região da Bahia que a fabricação de navios teve início no país.
“A Bahia é considerada o berço dessa atividade. O Estaleiro Enseada do Paraguaçu e o Canteiro de São Roque continuarão tendo uma importância fundamental para a produção do pré-sal e para a sedimentação da indústria naval brasileira”, concluiu Deyvid Bacelar.

