A Polícia Federal (PF) vai abrir uma investigação para apurar o caso de influenciadores digitais que, segundo relatos, foram pagos para fazer propaganda em defesa do Banco Master e, ao mesmo tempo, atacar o Banco Central (BC).
A apuração da PF surge depois que cerca de 46 perfis em diversas redes sociais foram identificados como parte de uma ação coordenada, onde publicavam conteúdos em favor do Banco Master e criticavam a atuação do Banco Central.
O Contexto da Polêmica
Essa movimentação digital não é nova. Ela já estava sendo observada enquanto o Banco Central analisava a possível venda do Banco Master para o BRB (Banco de Brasília). No entanto, a intensidade das publicações aumentou consideravelmente nos últimos dias.
Isso acontece em meio a várias disputas judiciais importantes. O caso do Banco Master está sendo discutido tanto no Supremo Tribunal Federal (STF) quanto no Tribunal de Contas da União (TCU), onde investigadores e advogados do banco travam uma batalha jurídica.
As informações sobre essa "ofensiva digital" foram divulgadas inicialmente pela Folha de S.Paulo, que trouxe à tona os detalhes dessa possível campanha de influência.
Conteúdo Parcial e Ataques Direcionados
De acordo com o que foi apurado, os influenciadores estavam divulgando materiais que mostravam apenas partes dos desdobramentos do processo de encerramento das atividades do Banco Master. Além de defenderem o banco, eles miravam em críticas diretas ao Banco Central e à forma como a instituição estava conduzindo o processo de liquidação, que foi anunciada em novembro.
Os ataques digitais também tinham alvos específicos e de alto escalão. Entre eles estavam: Gabriel Galípolo, o presidente do Banco Central, e seus familiares; Aílton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do BC; e até mesmo outros banqueiros e entidades importantes do sistema financeiro. O motivo era o apoio dessas pessoas e instituições à decisão técnica de liquidar o Banco Master.
Até mesmo Isaac Sidney, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), foi mencionado como alvo dessas publicações coordenadas.
A Febraban Mapeia os Ataques
A própria Febraban se manifestou sobre o assunto. Em nota, a federação informou que já havia feito um levantamento dos ataques e notou um volume de postagens muito acima do normal em dezembro, que mencionavam a entidade.
A Febraban está avaliando se esse episódio pode, de fato, ser considerado uma ação coordenada, o que adicionaria mais um elemento de complexidade a essa investigação da Polícia Federal.
A PF agora vai aprofundar as apurações para entender a extensão dessa suposta rede de influenciadores e se houve ilegalidade no financiamento e na veiculação desses conteúdos.

