O cenário político internacional ganhou um novo capítulo nesta semana, com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçando um convite inusitado ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Trump expressou publicamente sua admiração por Lula e o chamou para integrar um conselho de paz dedicado à reconstrução da Faixa de Gaza.
Apesar do gesto diplomático, que ocorreu nesta terça-feira, dia 20, o mesmo dia foi marcado por críticas de Lula ao próprio Trump e à política externa americana. O convite, no entanto, foi recebido pelo governo brasileiro na última sexta-feira, dia 16 de janeiro, mas uma decisão final por parte de Lula ainda não foi tomada.
Um Novo Conselho de Paz para Gaza
Durante o balanço do primeiro ano de seu segundo mandato, Donald Trump foi enfático ao abordar sua visão para a resolução de conflitos globais e o papel de Lula. O conselho de paz para Gaza é uma iniciativa norte-americana com o objetivo central de discutir e planejar a recuperação da região, severamente afetada por conflitos.
Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no Conselho de Paz de Gaza.
A declaração de Trump não parou por aí. Ele chegou a sugerir que este novo conselho poderia, no futuro, substituir a Organização das Nações Unidas (ONU), um organismo multilateral tradicionalmente responsável pela manutenção da paz e segurança internacionais. O ex-presidente americano não poupou críticas à performance da ONU.
A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela nunca esteve à altura desse potencial. A ONU deveria ter resolvido todas as guerras que eu encerrei. Eu nunca recorri a eles, nunca sequer pensei em recorrer.
Essa visão reflete uma postura de desconfiança de Trump em relação às instituições multilaterais existentes e seu desejo de criar novas plataformas que, segundo ele, seriam mais eficazes.
Lula e a 'Trégua' Suspensa
Contrariando a gentileza de Trump, o presidente Lula não hesitou em tecer críticas contundentes à política norte-americana e ao próprio ex-presidente. Em agenda no Rio Grande do Sul, também nesta terça-feira, Lula 'suspendeu' uma espécie de trégua diplomática, questionando a forma como Trump, segundo ele, tentava 'governar o mundo'.
As falas de Lula apontaram para uma preocupação com o que ele descreveu como uma tentativa de Trump de impor sua vontade por meio das redes sociais, especialmente o Twitter, e de forçar avanços sobre a soberania de outros territórios, citando a Venezuela como exemplo recente.
Já perceberam que o Trump quer governar o mundo pelo Twitter? Fantástico, todo dia fala uma coisa. E você acha que é possível a gente tratar o povo com respeito se não olhar no rosto? Achar que é objeto e não um ser humano?
A situação cria um quadro complexo e curioso: um líder elogiando e convidando outro para uma pauta de paz global, enquanto o convidado, no mesmo dia, critica duramente o anfitrião. A decisão de Lula sobre integrar ou não o conselho de paz de Gaza será um ponto importante a ser observado nos próximos dias, dada a dinâmica incomum entre os dois líderes.

