O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causou burburinho no cenário político global ao anunciar a criação de um novo grupo, o chamado Conselho da Paz. O lançamento aconteceu nesta quinta-feira, 22, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. A iniciativa, que foi oficializada em um evento paralelo ao fórum, gerou preocupação na comunidade internacional, que teme que o novo conselho possa enfraquecer ou até mesmo “esvaziar” o papel do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em seu discurso, Trump não poupou críticas à entidade global. Ele afirmou que a ONU possui um “potencial tremendo”, mas que, em sua visão, não tem conseguido alcançar consensos eficazes para resolver os muitos conflitos espalhados pelo mundo. O presidente defendeu que, “quando a América vai bem, o mundo vai bem”, reforçando a ideia de que a liderança americana é crucial para a estabilidade global.
Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo.
Um Conselho com Ampla Influência
O estatuto do recém-criado Conselho da Paz, obtido pela agência Reuters, revela detalhes sobre sua estrutura e os poderes conferidos a Donald Trump. Ele terá um mandato vitalício como presidente do grupo, com “amplos poderes” para gerenciar seus recursos e direcionar suas ações. Além disso, países que desejarem garantir um assento permanente dentro deste novo órgão precisarão desembolsar uma quantia significativa: US$ 1 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 5,37 bilhões.
Essa condição, juntamente com a centralização de poder nas mãos de Trump, tem gerado apreensão. Muitos observadores políticos e a própria comunidade internacional temem que o Conselho da Paz se transforme em uma espécie de “ONU paralela”, diminuindo a relevância e a capacidade de atuação da Organização das Nações Unidas, que já enfrenta desafios para manter a unidade entre seus membros.
Os Resultados e os Desafios Anunciados
Durante sua fala em Davos, Donald Trump aproveitou para fazer um balanço do primeiro ano de sua segunda gestão à frente da Casa Branca. Ele destacou os esforços dos Estados Unidos para encerrar conflitos em diversas regiões do mundo, afirmando que o país tem sido bem-sucedido em suas iniciativas.
Este é o encontro mais importante de todos, para o Conselho de Paz. Nós já resolvemos oito guerras, mas seguimos fazendo reuniões e tendo progressos, o que é muito importante. Estamos tendo um mandato incrível. Nunca tivemos um governo com tantas conquistas em 12 meses. A nossa economia está 'bombando'. Quando a América vai bem, o mundo vai bem.
Trump mencionou que, embora ainda existam “incêndios” a serem apagados ao redor do mundo, a situação é bem diferente de um ano atrás, quando reassumiu o cargo. Como exemplo de suas ações, ele citou a invasão à Venezuela, que ocorreu no início deste mês e resultou na prisão do então presidente, Nicolás Maduro.
O evento de lançamento do Conselho da Paz contou com a presença de diversas lideranças mundiais. Entre os chefes de Estado confirmados estavam os presidentes da Argentina, Javier Milei; do Azerbaijão, Ilham Aliye; da Indonésia, Prabowo Subianto; e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban. Cerca de 60 líderes foram convidados para participar do conselho, incluindo o presidente brasileiro Lula, que, até o momento, ainda não deu sua resposta ao convite.

